
Pessoas negras e do gênero feminino se candidataram mais para vagas no Legislativo do que em 2018. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2018, pessoas do gênero feminino representavam 31,02% e, em 2022, avançaram 2,97 pontos percentuais (33,99%). No ano de 2018, as pessoas negras (pretas e pardas) representaram 45,89% dos/as candidatos/as. No ano passado, o número cresceu e chegou a 49,91%. Os dados indicam que a semente está sendo lançada e, eleição após eleição, essas pessoas vão ocupando mais espaço na disputa democrática.
O problema é que o fosso da iniquidade é muito profundo e, ao que pese o bom desempenho dos/as que buscam uma cadeira no Legislativo, eleger pessoas negras é um desafio. Entre candidatos/as ao Senado, apenas seis negros/as foram eleitos/as. As pessoas brancas arremataram 17 cadeiras. Para a Câmara Federal, enquanto 353 deputados/as brancos/as foram eleitos, apenas 135 negros/as alcançaram o mesmo feito.
E, não podemos esquecer que muitos candidatos/as, incentivados pela possibilidade de acessar maior tempo de propaganda e recursos, mudaram de raça/cor ao registrar suas candidaturas. Ação amplamente denunciada pelo movimento social negro. Ainda assim, mesmo notando apenas candidatos/as pretos/as, se vê avanço.
Mas quando essas sementes vão germinar? A resposta pode estar naquilo que tem sido expurgado do debate democrático: as pautas identitárias. Candidaturas femininas, negras, antissexistas, antirracistas e o voto consciente e compromissado ainda parecem ser o caminho para que o sonho da Frente Negra Brasileira e de muitos outros levantes do passado e do presente, possam germinar.
Rachel Quintiliano é jornalista e promotora de equidade de gênero e raça