
Negra percepção, de Rachel Quintiliano é um registro necessário do nosso passado recente de pandemia da Covid-19 e esperança de um futuro mais que necessário sem racismo. Mesmo evidenciando com muita sensibilidade e coragem o impacto mais cruel e desumano do racismo institucional sobre a população negra, esse é um livro para esperançar. A experiência é de uma mulher negra brasileira, em sua habilidade de alinhar palavras, dados, forças e flechas. Uma imensa capacidade de se aquilombar.
Orientada pela sabedoria das mais velhas, na família de sangue em-que-ninguém-é-de-desistir e no feminismo-negro-que-não-poderia-ser-diferente, Rachel Quintiliano se apoia também na energia inovadora dos mais novos, êa juventudes negras!, e conta que buscou a conexão com os escritos de pessoas negras para diminuir a experiência do racismo.
Que seus escritos aqui reunidos proporcionem o aquilombar para outras pessoas também. Um convite sincero também a tantas outras que ainda guardam o racismo em algum lugar. Uma oportunidade para a branquitude que quer se desconstruir. Negra percepção é um livro Sankofa. Daqueles que vêm com sabedoria ancestral afrocentrada, olhando o passado para construir o futuro. Esperançando estrategicamente, como tudo que a escritora, jornalista, ativista e realizadora Rachel Quintiliano faz.
Fernanda Papa. Jornalista e gestora de políticas públicas. Atua como consultora de The Sherwood Way em assuntos de gênero e decoloniais e com recursos humanos em direitos humanos.
