Que escritora primorosa. Que livro lindo.
Quando sugeri o livro A Cor Púrpura, de Alice Walker, aqui nesta coluna, disse que não tinha adjetivos suficientes para ofertar naquele momento. Se passa o mesmo agora.
Lendo o livro de contos de Ruth Guimarães (1920-2014), sem querer, percebi que faria todo sentido sugeri-lo junto com o livro de Paulina Chiziane, na medida que as duas agraciam, de diferentes maneiras, histórias que brotam da cultura popular, que são passadas e reconstruídas por muitos contadores de histórias ao longo do tempo.
O livro publicado pela Faro Editorial em 2020, com 128 páginas, é parte dos originais escritos pela autora na década de 1980. Nesta obra que só pode ser publicada agora, pós-morte, os textos são apresentados em quatro capítulos, 15 contos, divididos em: Mitos iorubanos; Cosmologia afro-brasileira; Três contos de exemplo e Os animais na mitologia afro-brasileira.
Antes de viajar por eles, é preciso dedicar um tempinho para dois dedos de prosa com a autora. Sim, isso mesmo! Logo nas primeiras páginas, ela introduz o livro convocando o leitor para essa conversa. A cada conto, também apresenta elementos para compreender melhor as origens de cada conto. É um trabalho de pesquisa primoroso.
A diagramação também tem um destaque. O título está em alto relevo na capa e, no interior, Osmane Garcia Filho apresenta uma composição atraente, em preto e laranja e grafismos. Vale a pena acessar a versão impressa.
Ruth Guimarães está entre as principais escritoras brasileiras de seu tempo. Com mais de 20 publicações, passou por romance, crônica, conto, ensaio, poesia e tradução. Foi também filósofa e jornalista. Ocupou a cadeira de número 22 da Academia Paulista de Letras.
Conteúdo originalmente publicado em 01/04/2021: https://revistaraca.com.br/raca-indica-11/