Balada de amor ao vento, de Paulina Chiziane 

Não me canso de apreciar a genialidade de algumas escritoras negras. Na  minha lista das 10 preferidas, Paulina Chizine, autora moçambicana que entrega um texto envolvente a cada página, está no topo. 

Em Balada de amor ao vento, Paulina Chiziane apresenta uma história de amor, às vezes de amor pelos outros, pelos filhos, pela família, às vezes de amor próprio, aquele necessário para sobreviver. 

Publicado pela primeira vez em 1990, Balada de Amor ao Vento correu o mundo e descreve os encontros e desencontros de um casal, Sarnau e Mwando, ao longo do tempo. São tantos desafios que a única coisa que a protagonista Sarnau deseja, ou me fez pensar que deseja, é a paz. Um amor apaziguador, aqueles que só encontramos, acho eu, em um coração cansado. Como pano de fundo, estão os conflitos internos e externos, os juízos e a moral impostos pela cultura, a esperança e a fé. 

Como a própria autora faz questão de enfatizar, não se trata de um romance. O livro é uma contação de histórias que Paulina Chiziane ouviu à beira da fogueira e que usa como inspiração ao escrever livros como esse. 

É exatamente essa a sensação ao ler a obra da autora moçambicana. Você realmente se sente à beira de uma fogueira. Um dos momentos mais emocionantes está no capítulo 11 (o livro tem 20 capítulos, divididos em 149 páginas), quando o menino-rei nasce, abençoado e banhado pela luz da lua, tem seu corpo iluminado tal qual a prata. Relendo o livro para escrever essa sugestão, imediatamente lembrei do ator José Hilton Santos Almeida, mais conhecido como Hilton Cobra ou Cobrinha, na abertura do filme Bluesman, do Baco Exu do Blues  . 

O livro está disponível em português e pode ser encontrado em livrarias e também nos sebos, inclusive os virtuais. Li a 2a edição, impressa em 2007, pela Caminho Editorial, de Lisboa, que conta com ilustração de capa de Malangatana, denominada “Primavera Radiosa” (1995).

Conteúdo publicado originalmente em 01/04/2021: https://revistaraca.com.br/raca-indica-11/

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