Lançado em 2009, em português, pela editora Martins Fontes, com tradução de Luciana Garcia, o livro com os contos preferidos do líder sul-africano, Nelson Mandela (1918-2013), traz 32 histórias cheias de encantamento para ler para crianças e também adultos.
Antes mesmo do sumário, a obra apresenta um mapa do continente africano e, com bandeirinhas, destaca a possível origem de cada conto. Contudo, deixa nítido que é apenas uma referência e não uma verdade comprovada.
No prefácio, Nelson Mandela alerta “que a maior parte das histórias sofreu diversas metamorfoses ao longo dos séculos. Elas foram floreando e às vezes, de um povo ou grupo étnico para outro, transmitidas com imperfeições e falhas […] porque uma história é uma história e você pode contá-la como sua imaginação, sua essência e seu ambiente determinam; e se sua história criar asas e passar a pertencer a outras pessoas, talvez você não consiga trazê-la de volta. Um dia ela retornará a você, enriquecida por novos detalhes e com uma nova voz”.
Neste trecho, Mandela, com generosidade, dá a permissão para que cada pessoa que leia o livro e conte as histórias possa fazer isso com propriedade, criatividade e com sua própria voz, em um exercício de escuta, de fala, de modo que elas sigam sendo lidas e encantando crianças em qualquer tempo e por muitos mais séculos.
Vale a pena ler e contar todas as histórias do livro, mas destaco uma em especial: “A aranha e os corvos”. O conto, originário da Nigéria e conhecido localmente como Kwaku Anansi, apresenta a história de uma aranha bem esperta, que trapaceia o tempo inteiro, inclusive se passando por quem não é, e contando com a generosidade de outros animais para aplicar golpes perversos. Diferente do que estamos acostumados aqui no Ocidente, nem sempre os contos terminam com lições de moral, com o certo e o errado. Fica, portanto, a cargo do contador/a da história e das próprias crianças, que provavelmente farão uma série de perguntas , qual foi o fim da aranha.
Conteúdo publicado originalmente em 05/03/21: https://revistaraca.com.br/raca-indica-7/