Guerreiras da Paz: como a solidariedade, a fé e o sexo mudaram uma nação em guerra, de Leymah Gbowee e Carol Mithers

Lançado em 2012, em português, pela Companhia das Letras, “Guerreiras da Paz”  apresenta um relato sincero e verdadeiro de Leymah Gbowee, que viu os horrores da guerra na Libéria e, ainda assim, encontrou forças para lutar por liberdade e justiça. Em 2011, ela foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz. 

O livro é um convite, ou melhor, uma convocação para olhar a história da guerra na Libéria a partir de outro ângulo, aquele registrado pelos olhares das mulheres daquele lugar. Leymah Gbowee simplesmente tira as mulheres do pano de fundo e coloca elas em lugar estratégico, inclusive nos inúmeros movimentos por sobrevivência, liberdade e paz. 

Escrito em primeira pessoa, o livro é dividido em três partes. A primeira delas é fundamental para entender a história de Leymah, o contexto familiar e a situação do país. Na segunda parte, ela não só encontra e reforça sua própria voz, mas constrói um lindo e importante coro com vozes femininas que se mostra necessário para o fim da guerra. Na terceira e última parte, ela volta a falar mais dela mesma, da família, do futuro e da nova rede de mulheres que ajudou a construir. 

Quando li pela primeira vez, senti um nó na garganta por várias vezes enquanto folheava as 300 páginas de história. Se você é mulher, e ainda que não seja negra ou de algum país do continente africano, certamente se identificará com vários momentos da história que Laymah compartilha nesta publicação. 

Em vários trechos, Laymah não só demonstra coragem, mas uma certeza sobre a sua sobrevivência e de sua família. No início do penúltimo trecho da primeira parte, quando ela conta sobre o percurso rumo a Gana, ela diz: 

“Estávamos bem em frente ao litoral da Costa do Marfim quando ouvi choro e gritos. Estamos fazendo água! Vamos afundar! Daniel (seu companheiro) correu para baixo para ajudar os que tentavam tirar a água do barco. Uma estranha serenidade tomou conta de mim. De alguma forma, eu tinha certeza de que meus filhos e eu sobreviveríamos, mesmo que fosse preciso passar por cima dos corpos dos outros para nos salvar”. 

Em vários outros momentos ela demonstra uma certeza inexplicável no futuro diante dos horrores que atravessam ela e sua família. É, sem dúvida, uma história de resiliência.

Sem spoiler, sugiro atenção especial ao que Leymah Gbowee ensina e registra sobre a estratégia exitosa das mulheres quando elas decidem se colocar de pé contra Charles Taylor e sentar pela paz. 

O livro tem tradução para o português  de Donaldson M. Garschagem. 

Conteúdo originalmente publicado em 12/03/21: https://revistaraca.com.br/raca-indica-8/

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