Em 2012, quando estive nos Estados Unidos, fiz questão de ir até Washington DC. Queria visitar os museus e também ver a estátua de Martin Luther King Jr. localizada no memorial dedicado a ele, inaugurado um ano antes.
Passei horas no local, arrebatada pela emoção do encontro com aquela escultura enorme. Eu, que quase sempre viajo sozinha, não hesitei e pedi ajuda para outro turista para fazer uma foto minha naquele momento mágico.
Quando retornei ao hotel, fui ouvir no computador um CD que comprei na lojinha do museu com os sermões e discursos do pastor. É de chorar, é de reverenciar a capacidade dele em nos colocar em comunhão – obviamente para aqueles que têm fé em Deus, nos deuses, no divino e sonham com liberdade irrestrita.
Ao voltar ao Brasil, enquanto andava pelos corredores de uma livraria, me deparei com um livro pequeno, de poucas páginas, de capa dura, com uma seleção de discursos dele, selecionados por sua viúva, Coretta Scott King, traduzido pela Maria Luiza X. de A. Borges e publicado pela Zahar, sob o título: As palavras de Martin Luther King.
Entre os textos, o que mais me impactou foi “Fé e religião”. No segundo parágrafo ele diz: “A ciência investiga; a religião interpreta. A ciência dá ao homem conhecimento que é poder; a religião dá ao homem sabedoria que é controle. A ciência lida sobretudo com os fatos; a religião lida sobretudo com valores”. Esse trecho e os subsequentes me perturbaram, talvez porque fosse a primeira vez que estava me permitindo fazer uma reflexão sobre ciência e religião, sem pudor ou amarras.
Recomendo a leitura de todo o livro, com especial atenção para esse texto sobre fé e ciência e também “Eu estive no topo da montanha”, um clássico, em que ele prevê e adverte: “[…] se algo não foi feito, e com urgência, para tirar os povos de cor de todo o mundo de seus longos anos de pobreza, seus longos anos de dor e abandono, o mundo inteiro estará condenado”. Esse foi o último discurso de Martin Luther King Jr, proferido em 03 de abril de 1968, em Memphis, no estado do Tennessee, na véspera de seu assassinato.
Segundo a editora, as palavras do pastor e ativista dos direitos civis “são exemplos vivos de coragem, fé e integridade – uma fonte de inspiração que renova nossa crença no homem e nos ajuda a ver o mundo de forma mais humana e solidária. Um livro para não sair da mesinha de cabeceira”.
Saiba mais: https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=4101234
Conteúdo publicado originalmente em 05/02/2021 em https://revistaraca.com.br/raca-indica-3/