O mesmo autor do quadrinho “Pantera Negra: Vingadores do Novo Mundo” e outros livros, Ta-Nehisi Coates escreve uma carta sincera para seu filho no livro “Entre o mundo e eu”
Foi o primeiro livro que li em inglês do começo ao fim e de uma vez, sem pausas para outras leituras. Com dificuldade, mas muito interessada, vi Ta-Nehisi Coates de uma maneira que não imaginava (já que conhecia o trabalho dele apenas no HQ).
No livro, narrado em primeira pessoa, o autor faz uma profunda reflexão sobre o que significa ser um homem negro nos Estados Unidos. É, sem dúvida, um livro sobre masculinidades negras que me levou a perguntar o quanto dos desafios e descobertas que ele narra têm relação com qualquer homem negro na diáspora.
Logo no primeiro capítulo ele se questionada sobre o que significa viver em um corpo negro. Poucas páginas depois, dá um recado direto ao dizer que um menino negro deve ser responsável pelo seu corpo de uma forma particular e especial, na medida que esse corpo, como ele apresenta ao longo do livro, parece ter menos valor. Enquanto lia e me esforçava para compreender os longos parágrafos em inglês, me pegava pensando na música “A Carne”, de Elza Soares. Se Ta-Nehisi Coates nunca ouviu, precisa fazer isso urgentemente.
Segundo a apresentação disponível na página Objetiva, selo responsável pela publicação do livro em português, “Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América”. E acrescenta ‘Entre o mundo e eu’ apresenta uma nova e poderosa forma de compreender o racismo. Um livro universal sobre como a mácula da escravidão ainda está presente”.
Título original: Between the world and me
Tradução para o português de Paulo Geiger
Saiba mais: https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=28000267
Conteúdo publicado originalmente em 29/01/2021 em https://revistaraca.com.br/raca-indica-2/