O beijo na parede, de Jeferson Tenório

Quem é e quantos anos tem João, o menino-homem do romance do escritor Jeferson Tenório?

Essa é a pergunta que não quer calar. Em algumas páginas os outros personagens da trama chegam até duvidar da pouca idade do menino João. Eu também!

O primeiro romance do escritor Jeferson  Tenório foi publicado em 2013 e, em 2020, já chegou a 6ª edição. Em 17 curtos capítulos, ideais para a formação de leitores, para quem tem pressa ou simplesmente sede de ler, o escritor apresenta João, o personagem principal de uma trama que logo de cara anuncia o que é ser um menino negro e pobre na cidade do Rio de Janeiro e, depois, em Porto Alegre – e penso que em qualquer lugar desse brasilzão de meu Deus ou do Mundo.

No meio de cada capítulo, João quase te conta alguma coisa ou te explica mais sobre o que está pensando e sobre suas conclusões da vida. Ele simplesmente “se cria”. Finge até ser menos inteligente do que é, menos sozinho do que é, menos triste do que é, para sobreviver e garantir a sua passabilidade nesse mundo.

É um personagem riquíssimo, de uma sabedoria que, de certo, vem de longe. É ancestral! Segundo Nei Lopes, na Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, o termo “ancestral” significa “antepassado, ascendente, do bisavô para trás, contribuindo para a evolução da comunidade ao longo da sua existência”.

Segundo a sinopse do livro, disponível na página da editora Sulina, “Jeferson Tenório constrói um narrador singular e tocante nessa sua primeira obra, um verdadeiro arquiteto do invisível, capaz de reposicionar a dor, extrair, entre lágrimas e sorrisos, o sopro de vida de personagens que aparentam estar mortos. Ou simplesmente derrubar as paredes mais duras da existência com um beijo, deixando uma alternativa real para a esperança em seu lugar”.

Saiba mais: https://www.editorasulina.com.br/detalhes.php?id=615
https://www.instagram.com/jeferson.tenorio.9/

Conteúdo publicado originalmente em 21/01/2021 em https://revistaraca.com.br/raca-indica/

Deixe um comentário